Floresta Amazônica, Brasil
Vista do alto, a névoa que repousa sobre as árvores não esconde: revela. Ali embaixo pulsa um mundo vertical, feito de camadas vivas. Hoje, 5 de setembro, Dia da Amazônia, somos chamados a enxergar além do verde — e proteger até o que ainda não sabemos nomear.
Com mais de cinco milhões de quilômetros quadrados, a floresta abriga uma biodiversidade sem igual: uma única árvore sustenta centenas de espécies, e cada hectare concentra milhares de vidas. Há “rios voadores” — massas de vapor que alimentam chuvas até os Andes —, seres ainda desconhecidos e saberes ancestrais que não cabem em livros nem em mapas. A Amazônia fala em muitas línguas: no som das aves, no rastro das onças, na voz dos povos originários. É o pulmão do planeta, mas também artéria, casa e memória — dos Yanomami, dos Tukano, dos Munduruku. É berço de lendas, centro de conflitos, templo de resistência. A floresta regula climas, sustenta cidades, influencia colheitas. Cada árvore tombada é ausência que reverbera; cada gesto de cuidado, um elo com o futuro.