Tanques de evaporação de sal, ilha de Gozo, Malta
Na imagem, a Baía de Xwejni, na ilha de Gozo, Malta, se revela como um mosaico de salinas esculpidas no calcário. Os tanques de sal recebem a água do mar, que evapora até que surjam cristais translúcidos, prontos para a colheita. Essa técnica existe há gerações, sustentada por verões secos e pelo conhecimento preciso de famílias locais. O trabalho é manual e ritmado: rastelos alinham os cristais, vassouras os reúnem em pequenos montes, que secam ao vento antes de seguir para cavernas cavadas na rocha, onde o sal é estocado até a distribuição. Não há pressa; o clima dita o compasso de toda a produção.
No Brasil, o mesmo saber sobrevive em salinas artesanais, sobretudo no Nordeste. Em locais como Grossos e Galinhos, no Rio Grande do Norte, entre manguezais e vilarejos de pescadores, famílias colhem o sal manualmente durante a estação seca, mesmo cercadas pela maior produção industrial do país. O cenário muda, mas a coreografia secular entre o mar, o vento, o sol e as mãos habilidosas que colhem o sal insiste em permanecer.