Flores roxas de açafrão, Sete Lagos de Rila, Bulgária (© Maya Karkalicheva/Getty Images)
Nas Montanhas Rila, sudoeste da Bulgária, a imagem marca o instante exato em que o inverno começa a perder para a primavera. Flores de açafrão rompem a neve rala usando reservas acumuladas durante meses, correndo para florescer antes que gramíneas e plantas mais altas dominem o terreno. Em poucos dias, campos alpinos se vestem de um roxo vibrante que contrasta com o branco persistente. É um espetáculo que só existe por poucas semanas, cronometrado pela neve que começa a ceder.
No Brasil, a estratégia se repete em outro idioma. Sempre-vivas explodem em tapetes dourados nos campos rupestres de todo o país logo após geadas de inverno, brotando com reservas nutritivas antes das gramíneas e competidoras mais altas tomarem conta. Mudam cenários, se invertem as estações, mas a regra é global: plantas que entendem o calendário climático florescem primeiro. Porque o tempo, na natureza, é um recurso disputado.