Quando a terra fala Quando a terra fala
Arte de Saype, Genebra, Suíça
Arte de Saype na sede da ONU, Genebra, Suíça (© Valentin Flauraud/EPA-EFE/Shutterstock)
Na imagem, o gramado da sede da ONU, em Genebra, Suíça, se transforma em uma tela viva. Nessa criação do artista franco-suíço Saype, chamada "Mundo em Progresso”, duas crianças desenham, lembrando que o futuro está nas mãos das próximas gerações. Suas obras de "land art" — que usam o próprio terreno como suporte e material, dialogando com o ambiente — ocupam o espaço de modo que a terra se torna parte da mensagem. A tinta é sempre biodegradável, feita de carvão, giz e leite, e se dissolve com chuva e vento.
Efêmera, mas impactante, a arte de Saype fala de solidariedade, desigualdade, fronteiras que se tocam e muros que se desfazem. Sua série mais conhecida, "Além dos Muros", conecta mais de 30 países por meio de mãos gigantes entrelaçadas. O Brasil foi palco de três dessas obras: duas na cidade do Rio de Janeiro e uma em Brumadinho, Minas Gerais — esta última evocando justiça pela tragédia da barragem.
Assim, Saype busca devolver à arte sua urgência: suas criações não querem durar, mas despertar. Ele transforma o chão do mundo em espelho, lembrando que o tempo leva tudo, exceto aquilo que nos move.