Árvores espinho-de-camelo, Deadvlei, Parque Namib-Naukluft, Namíbia (© Inge Johnsson/Alamy Stock Photo)
Pode parecer, mas o que vemos aqui não é uma miragem. O vale de Deadvlei, na Namíbia, parece feito de contrastes: troncos retorcidos e escurecidos brotam de um chão claro como giz, cercado por dunas vermelhas e um céu em brasa. Essas árvores são vestígios de um pântano que um dia existiu ali, alimentado pelo rio Tsauchab. Mas as dunas mudaram de lugar, barraram a água e selaram o destino da vegetação. As árvores secaram sob o sol impiedoso — e ficaram. Sem umidade, sem fungos, sem decomposição: há quase mil anos, os troncos permanecem de pé, como sombras fossilizadas que o tempo se esqueceu de levar.
Dunas também fazem parte de paisagens brasileiras marcantes, como as do Jalapão e do Rio Grande do Norte. E, no cerrado, árvores retorcidas também contam histórias de escassez e resistência. Mas, em Deadvlei, o deserto criou algo ainda mais raro: uma galeria a céu aberto, um cemitério de árvores. Lá, o que surpreende não é o que insiste em crescer, e sim o que se recusa a cair.