Colinas onduladas de Palouse, Washington, EUA (© svetlana57/Getty Images)
Em Palouse, no estado de Washington, Estados Unidos, as colinas que vemos na imagem se estendem como ondas imóveis até o horizonte. No verão, são campos de trigo dourado; na primavera, uma tapeçaria verde que se move ao sabor do vento. Por trás dessa suavidade, uma história antiga e paciente: durante as Eras do Gelo, glaciares avançaram sobre o Canadá, triturando rochas até transformá-las em fina “farinha glacial”. Essa poeira foi carregada por inundações e, ao longo de milênios, redistribuída pelo vento. O resultado são os “loess” de Palouse: camadas que chegam a 75 metros de espessura e cobrem mais de 50 mil quilômetros quadrados.
Assim como os depósitos de loess na região Sul do Brasil, esses solos são férteis, essenciais à agricultura, mas vulneráveis: sem proteção, a erosão apaga em anos o que levou dezenas de milhares de anos para se formar. Grãos quase invisíveis se tornaram paisagens que alimentam cidades, movem economias e sustentam vidas — uma lembrança de que até a menor partícula pode criar grandezas que não cabem em números.