Lago Sørvágsvatn, ilha de Vágar, Ilhas Faroe, Dinamarca (© Anton Petrus/Getty Images)
Hoje é Dia Mundial dos Lagos — e alguns estão longe de ser espelhos serenos. Sørvágsvatn, nas Ilhas Faroe, Dinamarca, parece levitar sobre o Atlântico. Relevo e ângulo criam a estranha ilusão, vista na imagem, de que o lago despenca de um penhasco flutuante.
Na Tanzânia, o Lago Natron beira o inabitável: quente, vermelho, alcalino e com pH parecido ao da amônia, ele transforma animais em escultura. Literalmente: os sais recobrem os corpos e os petrificam, convertendo-os em estátuas minerais. Na Sibéria, o Baikal joga em outra escala. Com mais de 1.600 metros de profundidade, é o lago mais profundo da Terra e guarda cerca de um quinto da água doce líquida do planeta. No inverno, congela com tanta clareza que o gelo se assemelha a vidro.
Já no Pantanal, lago é verbo: as águas brotam com a cheia, espalham-se por planícies e desaparecem. É um ecossistema anfíbio, onde nenhum dia se parece com o outro. Os milhões de lagos do nosso planeta são memória líquida, energia moldada em forma geográfica. Eles não apenas contêm a água, mas a celebram em todas as suas formas.