Equidna-de-focinho-curto, Adelaide Hills, Austrália
Ele parece invenção de criança misturando bichos ao acaso: espinhos de porco-espinho, focinho de tamanduá... Mas o equidna-de-focinho-curto existe — e funciona perfeitamente. Nativo da Austrália, Tasmânia e Nova Guiné, ele é um dos últimos monotremados (mamíferos que botam ovos) do planeta. E é mamífero mesmo, com pelos e sangue quente. Também amamenta, mas de um jeito nada convencional: o leite escorre por poros da pele, e o filhote lambe direto da barriga da mãe.
Formigas e cupins são o cardápio. Sensores elétricos no focinho detectam movimento no subsolo, garras abrem túneis como pás e a língua pegajosa resolve o resto. Se ameaçado, enrola-se em uma bola de espinhos ou cava para baixo rapidamente, sumindo em segundos no chão. Solitário, calmo, quase pré-histórico, ainda desfila em fila lenta no acasalamento, os curiosos “trenzinhos” de equidnas. Estranho? Muito. Eficiente? Também. Prova viva de que a evolução às vezes acerta tanto de primeira que não precisa mudar mais nada.