Peixes-boi jovens em uma nascente de água doce, Rio Crystal, Flórida, EUA (© Gregory Sweeney/Getty Images)
O nome engana, mas estas criaturas não têm nada de peixe nem de boi. Peixes‑boi, ou manatis, são uma categoria própria de estranheza: gigantes gentis que parecem flutuar fora do compasso do mundo. Eles mastigam como ninguém; seus dentes nunca param de nascer. Os molares desgastados pelo capim‑marinho deslizam para frente como uma esteira rolante biológica, permitindo até oito horas diárias de pastagem submersa. Primos distantes dos elefantes, têm lábios flexíveis, pele enrugada e uma delicadeza surpreendente diante do tamanho imponente. Sensíveis ao frio, buscam nascentes mornas no inverno, verdadeiros spas naturais.
No Brasil, rios e estuários da Amazônia e do Pantanal recebem esses herbívoros como jardineiros aquáticos. Eles aparam plantas, escavam corredores e redesenham o leito dos rios sem alarde. Mas essa calma tem um preço: colisões com barcos e perda de habitat ameaçam sua sobrevivência. Ver manatis deslizarem, como os desta foto tirada na Flórida, Estados Unidos, é perceber que força, tranquilidade e vulnerabilidade podem conviver em perfeita harmonia.