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Dia de Darwin
Atobá-de-pés-azuis, Ilhas Galápagos, Equador (© Karine Aigner/TANDEM Stills + Motion)
Hoje, o Dia de Darwin é mais que seu aniversário: é uma homenagem a alguém que mudou para sempre a forma como enxergamos a vida. O naturalista tinha um talento raro: onde outros viam aves parecidas, ele via estratégia; onde parecia acaso, ele encontrava lógica. Ao observar tentilhões, fósseis e criaturas improváveis, percebeu que sobreviver é uma dança contínua entre variação, adaptação e tempo.
Movido por curiosidade incansável, Charles Darwin percorreu o mundo, inclusive o Brasil, mas foi nas ilhas Galápagos que os atobás-de-pés-azuis — como o da imagem — capturaram seu olhar. Suas patas azul-turquesa não são vaidade: são sinais biológicos claros, fruto de uma dieta rica em carotenoides e indicadores diretos de boa saúde. Quanto mais azul, melhor o parceiro. Some a isso mergulhos vertiginosos e quase matemáticos para capturar sardinhas e anchovas, e a adaptação deixa de ser conceito: é espetáculo vivo.
O atobá-de-pés-azuis não vive no Brasil, mas sua lição, sim. Observar o nosso atobá-de-pé-vermelho no Nordeste ou o atobá-pardo no Sul e Sudeste é quase repetir o exercício de Darwin: notar diferenças sutis, entender escolhas e reconhecer que a vida, além de complexa, é ousada, irreverente e surpreendentemente colorida.