Passagens secretas em Lyon, França (© TPopova/Getty Images)
Lyon, na França, não é uma cidade para caminhar — mas para se perder. As “traboules”, redes de passagens escondidas que atravessam pátios e edifícios, como a que vemos na imagem de hoje, transformam qualquer passeio em uma caça ao tesouro. Criadas no século IV, tornaram-se essenciais no Renascimento, quando comerciantes de seda usavam seus corredores cobertos para transportar tecidos dos ateliês ao rio, protegidos do mau tempo. Durante a Segunda Guerra Mundial, os combatentes as utilizaram como rotas de fuga.
Hoje, essas vias convidam à exploração: ao abrir uma porta de madeira aparentemente comum, surgem pátios com escadas em espiral, galerias em arco e corredores de pedra que serpenteiam entre os prédios.
O Brasil também preserva alguns caminhos históricos. Em cidades coloniais como Ouro Preto e Paraty, becos estreitos interligam construções antigas, conectando ruas, igrejas e praças. Moldados pelo relevo e pela lógica urbana da época colonial, esses espaços unem funcionalidade e simbolismo: escadas desgastadas, portas antigas e calçadas de pedra mostram como comércio e circulação moldavam a vida. Percorrer essas ruelas oferece surpresas a cada curva, permitindo vislumbrar o passado e transformar o simples caminhar em uma experiência rica e imersiva.