O fluir que desafia a solidez O fluir que desafia a solidez
Desfiladeiro de Wimbachklamm, Baviera, Alemanha
Desfiladeiro de Wimbachklamm, Baviera, Alemanha (© EyeEm Mobile GmbH/Getty Images)
Na imagem de hoje, as águas velozes atravessam as formações rochosas do desfiladeiro Wimbachklamm, localizado no Parque Nacional de Berchtesgaden, na região da Baviera — o maior estado alemão. Por cerca de duzentos metros, o rio forma pequenas cascatas, esculpindo a montanha e revelando camadas coloridas com milênios de história geológica. Passarelas de madeira conduzem os visitantes rente às paredes úmidas, até a abertura dramática do Vale Wimbach.
Se na Alemanha impressiona a força constante e paciente da água, no Brasil a surpresa é a fluidez imprevisível: no Cânion do Xingó, entre Sergipe e Alagoas, o Rio São Francisco se comprime entre rochas e, nas cheias, cria passagens temporárias, quase secretas. Apesar de distantes, os dois cânions têm muito em comum: paredões íngremes, microclimas únicos, ecossistemas adaptados às variações de umidade e insolação e trilhas que cortam a própria rocha.
Na Baviera, a água avança lenta e constante; no sertão brasileiro, ela se impõe em correntes sazonais, remodelando a paisagem a cada cheia. São rios que não se contentam em atravessar a geografia, mas inventam formas de transformá-la.