Garça-branca-grande, Hungria
Ela não segue tendências: tem estilo próprio. Está sempre vestida de branco, impecável em qualquer estação. A garça-branca-grande — ou simplesmente garça-branca, como a que vemos na imagem, fotografada na Hungria — habita pântanos, estuários e rios calmos nas Américas, na África, Ásia e Europa. No Brasil, é figura carimbada em manguezais, áreas alagadas e no vasto Pantanal, onde sua figura esguia indica que a natureza está em equilíbrio. Pode ficar imóvel por longos minutos, à espera do momento exato para lançar seu ataque relâmpago. Prefere peixes, mas não recusa sapos, pequenos répteis e até mamíferos.
No fim do século XIX, suas penas viraram artigo de luxo na moda feminina, e a caça descontrolada quase levou a espécie à extinção. Da indignação de duas mulheres, Harriet Hemenway e Minna Hall, nasceu um movimento pela proteção das aves migratórias que impulsionou novas leis e uma nova consciência ambiental. Mais de um século depois, a garça-branca ainda caminha em silêncio pelas margens — agora como símbolo de resistência. Seu voo elegante carrega a memória de um tempo em que a beleza quase custou sua existência. Hoje, ela sobrevive. E brilha.